quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Carta dos Bispos do Maranhão ao Povo de Deus



Dos bispos do Regional Nordeste 5 da CNBB (Maranhão) aos Presbíteros, Diáconos, às pessoas consagradas, aos fieis leigos e leigas, bem como a todas as pessoas que atuam na defesa e na promoção da vida no Maranhão

“Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão” (Mt 9, 36)

Nos dias 12, 13 e 14 de janeiro próximo passado, realizamos nossa reunião anual, desta vez em Carolina, no sul do Maranhão. A partir de relatórios, apresentados por diversos setores da Igreja, e de nossa própria vivência pastoral, pudemos mais uma fez refletir sobre a realidade maranhense. Ao contemplarmos a situação de nosso povo, lembramo-nos de Jesus de Nazaré e fomos tocados por sentimentos de compaixão, pois a dura verdade é que grande parte desse povo continua vivendo em situação de sofrimento e de abandono.

Um momento de otimismo

À primeira vista, parece predominar no meio do povo um sentimento de otimismo e de euforia. Verificam-se intensas expectativas para com o futuro imediato. Há no ar um sentimento difuso de otimismo. De onde provém esse sentimento?

De um lado, este sentimento parece advir das numerosas promessas oficiais de empregos, de investimentos de toda ordem e de crescimento econômico generalizado. De fato, não podemos negar que mais pessoas têm subido à classe média, com maior acesso a bens de consumo. Também no campo e nas periferias das cidades, tem havido algumas melhorias através de políticas compensatórias como a bolsa família, energia rural e aposentadorias, fato que tem mitigado a extrema pobreza e freado, em parte, o êxodo rural. Num primeiro momento, o acesso ao mundo do consumo funciona como um estimulante. O esbanjamento de dinheiro – pessoal e público –, o consumo de bens, nem sempre de primeira necessidade, como por exemplo, celulares, aparelhos sofisticados de informática e de carros de luxo, parece exercer nas pessoas um fascínio irresistível.

De outro lado, essas expectativas – embora genéricas – parecem revelar um desejo humano profundo, legítimo, de caráter pessoal e coletivo, de sair definitivamente de uma situação de dependência, de insegurança e de abandono institucional ao qual foi relegado até hoje o povo maranhense. Parece ser a tentativa de se sentir reconhecido como cidadão emancipado, mesmo que inserido num sistema que o obriga a consumir e a gastar compulsivamente, a se endividar e a parecer aquilo que não é na realidade.
Na vida intra-eclesial, apesar de nossas fraquezas, limitações e pecados, podemos chamar a atenção para dois dados positivos.

Em 2010, com a nomeação de cinco novos bispos para o Maranhão – bispos diocesanos para Coroatá, para Caxias, para Brejo e para Viana e bispo auxiliar para São Luís –, uma terça parte do episcopado maranhense foi renovado, observando-se que, com exceção do último, todos os outros provêm de nossas comunidades locais.

O outro dado positivo em nossa vida eclesial é a constatação que, nas três últimas décadas, como fruto de um trabalho contínuo e perseverante, verifica-se um aumento significativo do clero local, formado aqui mesmo no Maranhão. Embora ainda em número insuficiente, esses presbíteros, jovens em sua maioria, sinalizam para uma Igreja cada vez mais enraizada e presente na vida do povo.

Olhar para o futuro com otimismo e esperança é condição primeira e indispensável para qualquer mudança da realidade presente. Tal atitude, porém, pode ocultar uma tendência quase inconsciente em remover sentimentos de impotência perante a realidade atual. De fato, não podemos negar que a realidade social e econômica do Maranhão é particularmente dura e iníqua. Como bispos, queremos nos associar àquelas ovelhas que, mesmo “no vale das sombras não temem mal algum”, pois, afinal, o Senhor é o único pastor e guarda do rebanho que nos conduz “por caminhos bem traçados e nos faz descansar junto às fontes de águas puras” (cfr. Salmo 23).

Está na hora de se fazer uma inversão de prioridades e valores

Sentimos que chegou a hora de não mais aceitar que se jogue com os sentimentos e as expectativas de nosso povo, vendendo-lhes promessas mirabolantes de que tudo, a partir de agora, vai melhorar. Estamos às vésperas da comemoração dos quatrocentos anos da chegada dos europeus a essas terras. É um momento oportuno de se fazer um resgate histórico das formas de luta por liberdade, de resistência à escravidão, de testemunho de coerência de grupos sociais e de evangelizadores que têm marcado positivamente a história de nosso Estado. Esse resgate nos ajudará a fortalecer um projeto popular independente e soberano.

A história do Maranhão, do Brasil tem sido marcada pela apropriação por parte de pequenos grupos, mediante influências políticas e corrupção ativa, daquilo que pertence a todos. Esses pequenos grupos fazem do bem público um patrimônio pessoal. Talvez por esse motivo, a maioria da população cuide tão mal de nossas praças e ruas, de nossas escolas e hospitais, de tudo aquilo que deveria estar a serviço de todos. Seria talvez uma maneira de reagir – certamente equivocada! – a esse tipo de apropriação indébita.
Para inaugurar um novo momento histórico, precisamos nos educar para um trato totalmente novo, mais ético, com o bem comum. Sentimos que chegou a hora de se fazer uma radical inversão de prioridades e valores. Não podemos deixar que o Estado continue colocando sua estrutura a serviço quase exclusivo dos grandes exportadores de minério, de soja, de sucos e carnes, construindo-lhes as infra-estruturas necessárias para obter sempre maiores dividendos. Ao contrário, ou paralelamente a isto, os aparatos do Estado devem estar a serviço da integridade humana de todos os seus cidadãos e cidadãs.

Preocupa-nos sobremaneira que, em nome de um ilusório e equivocado desenvolvimento, entendido de forma redutiva como desenvolvimento exclusivamente econômico – e não na sua acepção integral –, empresários, quadrilhas de colarinho branco, setores do Estado e do Judiciário pisoteiem direitos básicos, transgridam impunemente normas ambientais, desconsiderem medidas básicas de prevenção de saúde pública, agridam povos e territórios tradicionais, rios, matas e seres vivos em geral.

É urgente que produzamos sinais de uma nova sociedade na qual se proceda efetivamente a uma “inversão de prioridades”, investindo-se maciçamente em saneamento básico universal, em água potável, na distribuição equânime de terras férteis para quem trabalha nela, em unidades hospitalares para todos, em educação formal de qualidade. Está na hora de se fazer uma inversão de prioridades e valores também em relação ao papel do Estado e de seus representantes. Estes estejam em permanente escuta da sociedade civil, dos movimentos sociais, do povo e das suas legítimas aspirações e propostas para um verdadeiro bem comum.

Juntos a favor de “um novo céu e uma nova terra” (Cfr. Ap 21, 1). Não podemos sonhar com uma nova sociedade se nos deixarmos arrastar por sentimentos de indiferença e de derrota. É preciso, ao contrário, mobilizarmos corações e instituições que ainda possuem sentimentos de compaixão e de justiça. É tempo de missão e de conversão pastoral.

Como pastores

Juntamente com as nossas comunidades, pastorais e movimentos –, queremos apostar no surgimento de uma nova consciência para que o direito e a justiça se unam definitivamente; para que aquelas instituições públicas que são chamadas a defender os direitos coletivos de nosso povo – Ministério Público, Defensoria Pública, Conselhos e outros – não se omitam. E que assim, como fruto deste esforço e compromisso coletivo, ninguém tenha poder de matar os sonhos e os desejos de felicidade de cada criança, de cada mãe e pai, de cada jovem do nosso Estado.

Saudamos a todos em Cristo Jesus. Para a nossa Igreja pedimos a graça da coerência e da coragem para que ela possa continuar a missão de Jesus de Nazaré, levando luz aos cegos, liberdade aos cativos, esperança e a dignidade aos pobres de nossa terra (Cfr. Lc 4, 14ss).

São Luís do Maranhão, 14 de fevereiro de 2011

Armando Martín Gutierrez – bispo de Bacabal
Carlo Ellena – bispo de Zé Doca
Enemésio Ângelo Lazzaris – bispo de Balsas
Franco Cuter – bispo de Grajaú
Gilberto Pastana de Oliveira – bispo de Imperatriz e presidente do Regional NE-5
Henrique Johannpoetter – bispo emérito de Bacabal
José Belisário da Silva – arcebispo de São Luís do Maranhão
José Soares Filho – bispo de Carolina
José Valdeci Santos Mendes – bispo de Brejo
Ricardo Pedro Paglia – bispo de Pinheiro
Sebastião Bandeira Coêlho – bispo de Coroatá
Sebastião Lima Duarte – bispo de Viana
Vilsom Basso – bispo de Caxias
Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges – bispo emérito de Viana

DIOCESE DE VIANA RECEBE VISITA DA COMISSÃO PARA A AMAZONIA

Nesta terça-feira, 22, a Diocese de Viana recebeu a visita da Comissão Especial da CNBB para a Amazônia. A representação que esteve em Viana foi a Ir. Irene e o pe. Altevir, acompanhados pelo Pe. Vanzela e a Graça do Regional NE V. A equipe chegou ainda pela manhã, e ali tivemos uma contato informal até a hora do almoço. Ás 14.00h, deu-se início a reunião com padres e leigos das paróquias onde foi apresentado o objetivo da visita e explicada o organograma da Açao Missionário no Brasil.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mais dois Retiros paroquiais das S.M.P.

As paróquias de Pindaré-Mirim e da Terra Bela irão realizar seus segundos retiros das S.M.P. neste fim de semana.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pe. Jean será apresentado em Buriticupu.

No próximo sábado, em celebração presidida pelo Pe. Nelcino Leocádio, coordenador do setor I, da Área do Pindaré, às 19.30h, o Pe. Jean Silva será apresentado como novo Vigário Paroquial da Paróquia Santa Rita de Cássia São Francisco de Assis, com especial atenção à região do Segundo Núcleo. Aproveitamos para convidar todos a participarem deste ato e, de já desejamos sucesso neste novo trabalho ao Pe. Jean.

Corrigindo


Pedimos desculpas por não fazermos referência à Pastoral da Família, uma das ou talvez a mais importante da Igreja. Foi um lapso. Na verdade foi tratado dela sim e o Diác. Antonio de Jesus ficou responsável de reestruturá-la na diocese, juntamente com a cordenação diocesana.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Reunião da Coordenação Ampliada das S.M.P.

Gostaríamos de lembrar a todos da nossa reunião ampliada das S.M.P. que acontaecerá em Viana, no dia 28, apartir das 09.00h. Na oportunidade a certaremos os últimos detalhes da participação das paróquias no III Retiro diocesano. Lembramos que para esta reunião devem ir todos os párocos e um representante leigo por paróquia, de modo especial o(a) coordenador(a) paroquial das Santas Missões.

NOVOS PÁROCOS

As páróquias de Pindaré Mirim, Santa Luzia da Terra Bela e Santa Luzia, de Santa Luzia já estão com seus novos párocos. Assumiram respectivamente o Pe. Edmundo Monteiro, (13/02 à noite)o Pe. José de Ribamar Silva(13/02 pelanhã) e o Pe. Vítor de Jesus (12/02 ao meio dia). Além disso temos também um novo Vigário Paroquial em Pindaré Mirim. Trata-se do Pe. Joaquim Nogueira. E em Santa Luzia, o Pe. Claudinei Francisco.
As próximas posses e apresentações previstas são as do padres Nilton Lima e José Maria Moreno, na paróquia Santo Antonio, em Santa Inês, no dia 27/02, às 19.30.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

PARÓQUIAS COM NOVOS PÁROCOS

Já estão com novos párocos as paróquias de Bacurituba, de Momção e São Cristóvão, em Santa Ines. Em Bacurituba, recebeu posse no dia 05/02 à noite, o Pe. Firmino C. da Luz. Em Monção, no dia 06/02 o Pe. Gilberto C da Rocha e em São Cristóvão, o Pe. Raimundo Nonato na noite do dia 06.